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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Escoteiro Radioativo


David Charles Hahn (nascido em 30 outubro de 1976), também chamado de "escoteiro radioativo" ou "Boy Scout Nuclear", é um americano que tentou construir um reator nuclear caseiro em 1994, aos 17 anos. Um escoteiro membro dos garotos escoteiros da america , Hahn conduzia seus experimentos em segredo em um quintal na casa de sua mãe em Comércio Township, Michigan . Embora nunca o seu reator tenha atingido massa crítica , Hahn atraiu a atenção da polícia local que encontraram materiais radioativos no porta-malas de seu carro. A propriedade de sua mãe foi limpa pela Agência de Proteção Ambiental dez meses mais tarde sendo selada em concreto. Hahn atingiu o posto mais alto e a medalha da associação Boy Scouts of America logo após seu reator ser desmontado.

Embora o incidente não foi amplamente divulgado inicialmente, tornou-se mais conhecido após um artigo do jornalista Ken Silverstein em 1998 . Hahn é também o tema do livro de mesmo nome de Silverstein 2004, The Boy Scout radioative.

Hahn é um escoteiro que recebeu uma medalha de mérito em Energia Atómica e passou anos mexendo com química que, por vezes, resultou em pequenas explosões e outros percalços. Ele foi inspirado em parte pela leitura de O Livro de Ouro dos experimentos científicos , e tentou coletar amostras de cada elemento da tabela periódica , incluindo os radioativos. Hahn diligentemente acumulou estes materiais por coleta de pequenas quantidades de produtos domésticos, como o amerício de detectores de fumaça , de tório da lanterna de acampamento mantos , rádio de relógios e de trítio (como moderador de nêutrons ) de artigos de visão noturna de armas.

Hahn posou como um cientista adulto ou professor para ganhar a confiança de muitos profissionais em letras, apesar da presença de erros de ortografia e erros óbvios em suas cartas a eles. Hahn finalmente tinha a esperança de criar um reator reprodutor, usando isótopos de baixo nível  para transformar amostras de tório e urânio em isótopos físseis.

Embora nunca tenha sido seu reator caseiro alcançado massa crítica, acabou emitindo níveis perigosos de radioatividade, provavelmente bem mais de mil vezes o normal da radiação de fundo . Alarmado, Hahn começou a desmantelar suas experiências, mas um encontro casual com a polícia levou à descoberta de suas atividades, o que provocou uma resposta de emergência radiológica Federal envolvendo o FBI ea Comissão Reguladora Nuclear . Em 26 de junho de 1995, a United States Environmental Protection Agency , tendo designado propriedade mãe Hahn como um sitio profundo de limpeza de materiais perigosos, desmontados no barracão e seu conteúdo e enterrou-os como de baixo nível de resíduos radioactivos em Utah. Hahn recusou avaliação médica para exposição à radiação .

Depois de abandonar a comunidade universitária , Hahn entrou para a Marinha , designado para o de propulsão nuclear porta-aviões USS Enterprise como um designado marinheiro .

Hahn tinha a esperança de seguir uma carreira como especialista nuclear. Cientistas da EPA acredita que Hahn pode ter excedido a dosagem de vida para exposição radiológica ao tório, mas ele recusou a recomendação de que ele  deveria ser analisado por especialistas na Usina Nuclear Enrico Fermi

Em 1 de agosto de 2007, Hahn foi preso em Clinton Township, Michigan por furto , em relação a uma questão que envolve vários detectores de fumaça , supostamente retirados das salas de seu prédio. Em sua foto da ficha criminal, seu rosto está coberto de feridas que os investigadores afirmam que são, possivelmente, da exposição a materiais radioativos. Durante uma audiência na Corte do Circuito, Hahn declarou culpado de furto tentado de um edifício. A corte do tribunal disse que os promotores recomendaram que ele fosse condenado a tempo de serviço e introduzir um centro de tratamento hospitalar. Sob os termos do fundamento, a carga original de furto de um edifício seria demitido na sentença, marcada para 04 de outubro. Ele foi sentenciado a 90 dias de prisão por furto tentado. Registros do tribunal afirmou que a sentença seria adiada por seis meses, enquanto Hahn foi submetido a tratamento médico.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os Faróis Nucleares Esquecidos da Rússia







Todo o norte da Rússia forma um vasto território com milhares de quilômetros de costa banhados por seis mares: Barents, Branco, Kara, Laptev, Sibéria Oriental e Chuckchi. Quase toda a costa norte está além do círculo polar ártico, sendo que alguns territórios se localizam milhares de quilômetros ACIMA da linha polar. A maior parte destas terras tem luz solar apenas 100 dias por ano, por causa dos extremos ângulos latitudinais envolvidos, de mais de 70º.

Mesmo sendo regiões completamente desabitadas, há um constante tráfego de navios cargueiros que fazem a rota de ligação entre o ocidente e o oriente pela rota polar. Atualmente a navegação nas águas geladas do oceano ártico é feita através de sofisticados sistemas de localização por GPS e outros balizamentos eletrônicos. Todavia, durante os anos de ferro do império soviético, não havia sistemas de localização por satélite.




Assim, o partido comunista da União Soviética decidiu o estabelecimento de uma rede de faróis ao longo das longínquas praias desabitadas que fornecessem sinais visuais e radiofônicos aos navios que singravam os mares árticos nas longas noites polares. Vários faróis foram erguidos, mas havia um problema: eles deveriam funcionar em regime desatendido e com manutenção zero, isto porque, por se localizarem a milhares de quilômetros longe das áreas povoadas mais próximas, era humanamente impossível alojar faroleiros permanentes que operassem os equipamentos, devido à severidade do clima de regiões mais inóspitas do Planeta.

Depois de analisar as diferentes alternativas que atendessem à demanda de funcionamento por anos sem a necessidade de manutenção e sem fonte de energia esgotável em curto prazo, os engenheiros soviéticos decidiram implantar reatores nucleares que alimentariam os faróis. Então, foram desenvolvidos especialmente para este fim reatores atômicos pequenos e leves que pudessem ser facilmente transportados às terras polares e içados nas respectivas estruturas.

Os pequenos reatores funcionaram de forma autônoma ao longo de décadas, sem necessidade de qualquer intervenção humana, prestando seus serviços devido à impraticabilidade de deslocamentos periódicos de equipes de manutenção. Os faróis eram dotados de tecnologia suficiente para desempenhar autonomamente determinadas tarefas, através de sensores eles captavam a luz ambiente, o que os capacitava a ligar e a desligar o holofote do farol de acordo com as condições de naturais de iluminação.

Em situações de neblina ou nevascas, eles transmitiam através do rádio sinais de alerta às embarcações próximas. Tudo isto, por mais que pareça ter saído de um enredo de ficção científica, realmente aconteceu no tempo da guerra fria, numa época em que a robótica recém engatinhava.

Com o colapso da União Soviética houve um problema, os faróis-robô continuaram funcionando por algum tempo, até entrarem em colapso. A causa foi a mais prosaica de todas: o vandalismo. Com o decorrer dos anos, eles foram sendo aos poucos saqueados por ladrões de metais e destruídos por caçadores de coisas abandonadas. A grande tragédia destes faróis atômicos foi provocada pela ignorância dos vândalos, já que eles não se intimidaram perante as etiquetas amarelas que estampavam o aviso de “Perigo Radioativo”.

Os vândalos, ao ignorarem todos os avisos, quebraram e destruíram o equipamento e levaram o que puderam, deixando para trás as coisas inúteis ou pesadas demais. Por mais que pareça estúpido e bizarro, os saqueadores marretaram os reatores e os reduziram a pedaços, fato que transformou todas as antigas construções dos faróis-robô em perigosos sítios de contaminação radioativa.

As fotos aqui apresentadas foram obtidas de um dos faróis atômicos mais próximos das áreas povoadas ao leste da Rússia. Atualmente há enormes alertas de “RADIOATIVIDADE” estampadas em Placas obstruindo os caminhos que levam aos farol, porém, elas não são o bastante para desencorajar o avanço dos caçadores de coisas exóticas.

Fontes:

English Russia: Abandoned Russian Polar Nuclear Lighthouses. 
www.blogpaedia.com.br/2009/01/faris-nucleares-abandonados-na-rssia.html

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Para Compreender: Trifólio simbolo internacional de radiação



O desenho que representa o símbolo internacional da radiação é chamado Trifólio, nome também dado ao trevo de três folhas. Segundo o físico americano Paul Frame, da Universidade de Michigan, que por anos estudou sua origem, o desenho foi rabiscado pela primeira vez em 1946, por um pequeno grupo de pessoas, no laboratório de radiação da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos.

Este evento foi relatado em uma carta de 1952, escrita por Nels Garden, chefe do Grupo de Saúde do laboratório, na qual ele explica que o círculo central representa a fonte radioativa e as três pás representam a atividade que irradia dela. Paul Frame, para a revista Superinteressante, sugeriu ainda que as três pás referem-se aos diferentes tipos de radiação nuclear: alfa, beta e gama.

Os primeiros sinais impressos em Berkeley tinham um símbolo magenta sobre um fundo azul. Mas essa composição de cores não fez muito sucesso e no início de 1948 o uso do amarelo como fundo foi padronizado no Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos. Naquela época, os responsáveis por escolher uma cor mais apropriada ao sinal de aviso cortaram diversos símbolos magenta e os grampearam em cartões com diferentes cores: ao ar livre, a uma distância de 6 metros, um comitê selecionou o magenta em amarelo como a melhor combinação.

Embora concebido para uso local em Berkeley, o símbolo disseminou-se pelo resto do mundo. Diversas variações da proposta inicial foram sugeridas nos anos seguintes. Somente no final dos anos 50 que o sinal de alerta usado ​​hoje foi regulamentado pelo instituto americano de padronização (ANSI). É permitido tanto o uso do magenta sobre o amarelo, quanto o preto como um substituto para o magenta. Na verdade, preto sobre amarelo é a combinação de cores mais comum fora dos EUA e é, provavelmente, a versão mais conhecida do símbolo.

A inspiração para o símbolo trifólio é cercada de especulações. Para Marshall Brucer, médico-chefe do Instituto Oak Ridge de Estudos Nucleares, esse símbolo era usado em uma doca seca naval perto de Berkeley para avisar sobre as hélices em movimento das embarcações. Já para o físico Paul Frame, o símbolo magenta é muito semelhante ao sinal de advertência de radiação usado antes de 1947, que consistia em um pequeno ponto vermelho com quatro ou cinco linhas saindo da região central. Alguns sugerem ainda que o trifólio tenha semelhança com a bandeira de batalha japonesa, familiar aos povos da costa oeste norte-americana.

“Qualquer que tenha sido a inspiração, foi uma boa escolha, pois o símbolo é simples, fácil de ser desenhado e identificado, não se parece com outros sinais de alerta e é perceptível a grandes distâncias”, completa o físico Paul Frame.

Hoje, em qualquer lugar do mundo, toda substância que emitir radiação deve ter essa imagem por perto. Existem normas específicas para o uso do símbolo em áreas cuja presença humana é controlada, como em prédios de reatores nucleares e em salas de exames de raios-X.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) esclarece que “o símbolo deve ser respeitado e não temido”. Ele serve para alertar as pessoas sobre a POSSÍVEL presença da radiação acima dos níveis naturais.

O símbolo complementar da radiação ionizante

O novo símbolo de advertência de radiação ionizante foi lançado em 15 de fevereiro de 2007, pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) em conjunto com a Organização Internacional para a Padronização (ISO), com o objetivo de reduzir as mortes desnecessárias e os ferimentos sérios de exposição acidental às fontes radioativas de grande porte.

No Brasil, como exemplo de acidente desse tipo, há o ocorrido em Goiânia, em 1987, que gerou um rastro de contaminação por Césio-137 quando um aparelho utilizado em radioterapia (irresponsavelmente abandonado nas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia) foi desmontado por catadores de um ferro velho do local e repassado a terceiros.

Com um fundo vermelho, ondas de irradiação, um crânio e dois ossos cruzados e uma pessoa correndo (!), o novo símbolo serve como um aviso suplementar ao trifólio, que não tem nenhum significado intuitivo e é pouco reconhecido pelo grande público, exceto por aqueles treinados em seu significado.

O novo símbolo foi desenhado por especialistas em fatores humanos, artistas gráficos e peritos em proteção radiológica após um estudo de cinco anos envolvendo 1.650 pessoas de diferentes idades em 11 países, entre eles o Brasil, para garantir que sua mensagem de “PERIGO – MANTENHA-SE AFASTADO” fosse clara e entendida por todos em qualquer lugar do mundo.

O símbolo é indicado para as fontes radiativas mais intensas, capazes de causar a morte ou ferimentos sérios. Integram essas categorias os irradiadores de alimento, os equipamentos para o tratamento de câncer e as unidades de radiografia industrial. Ao contrário do trifólio, esse símbolo é visível somente dentro dos equipamentos, para aqueles que tentarem abri-los, pois o símbolo é fixado no dispositivo que abriga a fonte, como um aviso para não desmontá-lo ou para não ficar próximo deste por muito tempo.

Para saber mais

Radiation Warning Symbol (Trefoil) por Paul Frame (em inglês).
New Symbol Launched to Warn Public About Radiation Dangers
- site IAEA (em inglês)
http://conhecerparadebater.blogspot.com.br/2011/07/entenda-os-simbolos-associados-radiacao.html

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sueco foi parar atrás das grades por tentar dividir átomos num experimento na própria cozinha.







Experimentos nucleares são perigosos e restritos apenas a pesquisadores em universidades e grandes laboratórios, certo? Não é o que pensa o sueco Richard Handl. Ele foi preso após tentar dividir átomos em sua casa, construindo uma espécie de reator nuclear em sua cozinha.
Mantendo elementos como rádio, urânio e amerício em seu apartamento, Handl foi descoberto após enviar uma dúvida para o Sweden’s Radiation Authority, órgão sueco que controla atividades do gênero no país. No email, ele questionava se o que estava fazendo era ilegal ou não.
“Eu apenas queria descobrir se era possível ou não dividir átomos em casa”, explica Richard. Embora ele não tenha descoberto se isso é possível, o governo sueco não permitiu a continuidade do experimento e prendeu Handl. Se condenado, ele poderá pegar até dois anos de prisão.
Para quem quiser conferir como foi o experimento de Richard, ele mantém um blog pessoal onde explica tudo o que fez antes de ser preso.


Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/12185-homem-e-preso-por-tentar-construir-um-reator-nuclear-em-casa.htm#ixzz1vEllquJr

O Reator Nuclear Da Kodak





Um ex-funcionário da Kodak afirma que entre 2006 e 2007 a empresa guardou um reator nuclear com urânio enriquecido em uma filial nos Estados Unidos. O mais impressionante é que (apesar de ninguém saber da existência do reator) isso não representa exatamente um segredo, visto que todas as informações estavam disponíveis para quem quisesse ver os documentos de pesquisas da Kodak.

O reator esteve guardado em um bunker na sede da Kodak, na cidade de Rochester (Nova York, Estados Unidos) até 2007, quando a empresa decidiu que não havia mais motivos para mantê-lo. Uma grande quantidade de guardas armados foi chamada para colaborar no transporte do reator, que foi levado em contêineres para fora da Kodak – provavelmente, o material foi doado para o governo norte-americano, mas não há informações confirmadas sobre isso.

Como afirmou o Democrat and Chronicle, esse não é o tipo de material que pode ser utilizado por empresas. Mas ao que tudo indica, ele foi utilizado apenas para testes de radiografia de nêutrons e verificações de impurezas em outros materiais. Apesar de nunca ter ocorrido qualquer anúncio público sobre o reator, não parece que o urânio tenha sido obtido de maneira ilegal.

Fonte: Democrat and Chronicle

quarta-feira, 16 de março de 2011

Therac - 25


 Therac-25
Os acidentes do Therac-25 são os acidentes mais sérios relacionados a falha em computadores.

Aceleradores lineares são dispositivos que aceleram elétrons a fim de criar feixes de luz que podem destruir tumores com um mínimo impacto do tecido saudável local. Estes dispositivos eram normalmente mecânicos em sua totalidade até o início da década de 70.

O Therac-25, máquina criada pela empresa AECL (Atomic Energy of Canada Limited) para produzir radiação a ser utilizada no tratamento Radioterápico, foi desenvolvida utilizando uma tecnologia diferente da usada nas máquinas anteriores, o que fez que a máquina fosse mais compacta, versátil, e deveria também ser mais fácil de usar.
Os predecessores do Therac-25 foram o Therac-6 (que produzia raio-x apenas) e Therac-20 (que produzia feixes de elétrons e raio-x). A Família Therac-20 era controlada por um PDP-11 (a máquina não é do tipo stand-alone); o projeto possui o controle através de travas mecânicas. Já no Therac-25 as funções de segurança foram colocadas no software.
Apesar desse investimento em Software, o projeto do Therac-25 teve partes inter-relacionadas e reutilizadas do Software das máquinas antigas. Porém os testes realizados aparentemente não tiveram uma grande preocupação com o Software.
A máquina trabalhava com dois tipos de tratamento:
·         A radioterapia de feixe de Elétrons direto, que aplicava desde doses fracas 5 MeV (milhões de elétrons-volts) até doses elevadas de 25 MeV, durante um curto período de tempo;
·         Terapia com Raios X, que usava o feixe de 25 MeV passando por uma chapa que o convertia em Raios X.
Os acidentes aconteciam quando o feixe de alta intensidade era ativado sem o target ter sido rotacionado para seu lugar. O software da máquina não detectava que isto havia acontecido e não podia detectar que o paciente estava recebendo uma dose letal de radiação, ou evitar que isso ocorresse. O feixe de alta intensidade atingindo diretamente os pacientes causava a sensação de um forte choque elétrico e a ocorrência de queimadura.

Entre as principais causas dos acidentes investigados pelos pesquisadores, têm-se :
·         Ausência de procedimentos de análise, projeto e verificação (teste);
·         Ausência de gerenciamento de projeto e planejamento de manutenção;
·         Negligência no projeto de interface;
·         Tratamento falho de comunicação com hardware (race condition);
·         A documentação começou a ser feita quando os acidentes foram reportados;
·         Apenas hardware foi testado inicialmente;
·         Após os acidentes, hardware e software foram testados em separado e sem nenhum planejamento a cada modificação. Apenas a modificação do software foi considerada.
·         O software do THERAC-25 era similar ao do seu predecessor, o THERAC-20. Esse software tinha erros que podiam se manifestar em certas circunstâncias. Porém, no THERAC-25, o software também foi projetado para assumir maior responsabilidade pela segurança e alguns mecanismos de proteção por hardware, usados no THERAC-20, foram removidos do novo projeto. Como resultado, em determinadas situações em que o THERAC-20 queimaria alguns fusíveis, o THERAC-25 irradiou, fatalmente, alguns pacientes;
·         O software considerava que os sensores sempre funcionavam corretamente, e não havia como verificar isto;
·         O sistema de controle não operava sincronizado com a interface usada pelo operador da máquina, e caso o operador mudasse a configuração da máquina muito rapidamente, o sistema não atribuia os valores digitados para os controles (o que levava a aplicação das doses letais). Não suportava intruções concorrentes;
·         Overflows* podiam fazer o software não executar procedimentos de segurança;
·         O dispositivo responsável por sincronizar o hardware é removido, mas o software não possui sincronismo e o software falha na tarefa de manter invariantes essenciais: o feixe de elétrons ou o feixe mais forte de radiação e a chapa se interferem na geração de raios X;
As overdoses ocorreram entre 1985 e 1987, a máquina estava em funcionamento desde 1983.
Serão citados alguns acidentes:
No primeiro, a AECL foi notificada e respondeu que nenhum problema poderia ter ocorrido. A paciente, apesar de ter desenvolvido uma vermelhidão e inchaço em volta da área do tratamento, continuou a ser submetida ao tratamento com o Therac-25, a reação foi tida como normal, conseqüente do tratamento, ou de sua doença.

Outro acidente ocorreu quando a máquina se desligou após mostrar a mensagem “H-tilt”, a mensagem de “no dose” e “Treatment pause” ao operador ativá-la. Após isso o operador tentou reativá-la, mais 5 vezes, após o operador da máquina chamou um técnico que não encontrou problemas na máquina.

Com a descrição destes acidentes pode-se observar que houve falha no projeto de Software, que deveria ter sido realizado com mais cuidado, já que foi escolhido utilizar o Software para realizar os controles de segurança. No caso de optar por reuso do sistema anterior, deveriam ser realizados testes mais cuidadosos. Não houve preocupação com a usabilidade do sistema, como podemos observar pelas mensagens de erro passadas do sistema, além das mensagens supracitadas, outras mensagens de erro, como “MALFUNCTION 1 ... 64” eram demonstradas ao usuário, sem que nem ao menos no manual, houvesse maiores explicações sobre elas. Falhas do lado dos operadores e médicos também ocorreram, por desconsiderar as reclamações dos pacientes e continuar com o tratamento. A AECL deveria ter levado em consideração os contatos feitos pelos médicos e hospitais dos pacientes acidentados, realizando novos testes no Therac-25, assim que o primeiro acidente ocorreu.

Em 1987, após o 6º acidente, a FDA declara que o Therac-25 não está de acordo com a lei dos Estados Unidos da América e pede que a AECL avise seus clientes que o aparelho não deve ser utilizado para tratamento de rotina.
Histórico dos Acidentes
Kenneston Regional Oncology Center (1985)
·         Paciente em tratamento de CA de mama recebe overdose
·         Máquina estava operando há 6 meses; após uma investigação superficial, técnicos concluíram que não havia risco de overdose.
·         Paciente desenvolveu uma queimadura profunda na área do tratamento. Tratamento persistiu e o paciente continuou a sentir dores cada vez maiores, perdendo o movimento em um dos braços
·         No total foram 15 os acidentes reportados em diferentes locais, antes que a máquina fosse
tirada de operação.
·         Todos os acidentes envolveram morte ou deixaram seqüelas para o resto da vida
·         Inabilidade dos órgãos de fiscalização em detectar e reconhecer a ocorrência dos acidentes.
·         Negligência da empresa durante o projeto e análise de segurança do software de controle.
·         Falta de um planejamento de manutenção: a medida que acidentes eram reportados, correções foram feitas, mas deram origem a outros acidentes.

Conclusões
·         Dispositivos mecânicos de segurança foram eliminados (procedimento relativamente comum, tendo em vista a redução de custos). Colocar demasiada confiança em software é errado. Produtos não podem ser desenvolvidos de forma que uma simples falha de software possa causar uma catástrofe. Dispositivosmecânicos de segurança adicionais devem ser mantidos.
·         A análise de segurança do dispositivo não levou em conta o software desenvolvido.
·         Tendência a acreditar que a causa do acidente havia sido determinada sem uma evidência adequada e sem examinar todos os fatores que contribuíram para o mesmo.
·         Assumir que corrigir um erro em particular iria prevenir futuros acidentes. Sempre existe
um outro erro...
·         Acidentes em sistemas complexos devem ser vistos do ponto de vista do processo de
engenharia empregado e não pelo uso de software. Será que algum dia poderemos
desenvolver software com zero erro?
Características de desenvolvimento do software
·         Ausência de procedimentos de análise, projeto e verificação (teste).
·         Ausência de gerenciamento de projeto e planejamento de manutenção
·         Negligência no projeto de interface
·         Tratamento falho de comunicação com hardware (race condition)
·         Documentação começou a ser feita quando os acidentes foram reportados
·         Apenas hardware foi testado inicialmente. Após os acidentes, hardware e software foram testados em separado e sem nenhum planejamento a cada modificação.
·         Reusabilidade não garante que o novo produto vai funcionar a contento e pode levar a projetos de baixa qualidade e potencialmente perigosos.
·         Cursos de programação e experiência em programação não garantem a produção de software de qualidade
·         Apesar de que o uso de boa prática de engenharia de software não se pode prevenir todos os erros, mas é possível eliminar grande parte deles. É portanto um requisito mínimo.
Referências:
LEVESON, Nancy. “An Investigation of the Therac-25 Accidents”, University of Washington e Clark S. Turner, University of California, Irvine, IEEE Computer, Vol. 26, No. 7, July 1993, pp. 18-41

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Incidente Nuclear de Palomares


Na manhã de 17 de janeiro de 1966, um bombardeiro B-52 da Força Aérea dos Estados Unidos, retornando de uma missão de rotina, colidiu com o avião-tanque que iria reabastecê-lo. A explosão resultante destruiu as duas aeronaves e lançou as bombas de hidrogênio do bombardeiro diretamente para o solo. Uma caiu nas águas azuis do Mediterrâneo, e três outras caíram perto dessapobre vila de agricultores, a cerca de 200 quilômetros a leste de Granada.

Sete tripulantes pereceram na bola de fogo, enquanto quatro se salvaram usando seus pára-quedas. Ninguém em terra morreu. As ogivas nucleares, muito mais poderosas que as lançadas em Hiroshima, não foram detonadas.

Mas os pára-quedas falharam em duas das bombas, resultando em detonações de explosivos fortes que, embora não-nucleares, espalharam material radioativo numa ampla área de terreno acidentado e rochoso.

Um enorme esforço de recuperação e limpeza se seguiu, com centenas de militares americanos e guardas civis espanhóis examinando a área durante meses. Dezenas de milhões de dólares foram gastos. Finalmente, com o trabalho feito, eles foram para casa, e a atenção foi desviada para qualquer outro lugar.

Os quase 1.200 residentes de Palomares também queriam esquecer o acidente. Hoje, o meio de vida vai além da agricultura e depende mais de atrair nortistas sedentos de sol para vastos prédios de apartamentos com vista para o mar e oásis de golfe.

Mas o passado literalmente ressurgiu com a recente descoberta de lesmas anormalmente radioativas e o confisco de trechos de terra para testes e limpeza adicionais. Não exatamente um argumento de venda para os melões e tomates ainda cultivados em larga escala, em estufas cobertas de plástico ali perto, e muito menos para uma vida sem preocupações na praia.
“Isso está prejudicando a vila”, diz um agricultor aposentado de 74 anos, Antonio, fumando do lado de fora do centro de idosos de Palomares. “Está acontecendo há quarenta anos. Queremos que acabe para sempre.”

Grande parte da incerteza de hoje remete ao segredo imposto à época pelo regime opressor de Franco e pelo Pentágono.
Tudo começou logo após as 10h em um limpo dia de inverno.
“Houve uma grande explosão”, contou rancorosamente Antonio, que se recusou a dizer seu sobrenome. “Voavam coisas por todos os lados. Todos correram para fora.”

Ninguém sabia o que havia acontecido, mas os primeiros soldados americanos chegaram numa questão de horas. Somente depois que os soviéticos acusaram Washington de violar um tratado banindo os testes nucleares é que os Estados Unidos admitiram, mais de um mês depois, que os detonadores em duas das três bombas que aterrissaram aqui haviam explodido com o impacto.
A bomba que atingiu o solo mais ou menos intacta foi rapidamente recuperada, enquanto a que aterrissou no Mediterrâneo levou meses para ser localizada. Cerca de 1.270 toneladas métricas de solo e vegetação contaminados foram colhidas e enviadas à Carolina do Sul para tratamento.

Oficiais tentaram de todas as maneiras acalmar os temores públicos. Em certo ponto, o ministro de informação e turismo espanhol, Manuel Fraga Iribarne, reuniu-se com o embaixador americano, Angier Biddle Duke, para uma “festividade de natação” no mar para demonstrar que as águas estavam seguras. As fotos foram publicadas em todo o mundo (incluindo a primeira página do "New York Times").

Em Palomares, hoje, não há memorial ou museu, apenas uma pequena rua lateral chamada “17 de Janeiro, 1966”, sem explicações. Na biblioteca, uma modesta pasta de plástico contém cópias de recortes de notícias em espanhol, francês, alemão e inglês.
Talvez uma vez por mês alguém peça para vê-los, de acordo com a bibliotecária, mas nada foi adicionado desde 1985.

“Eles não te contam a respeito antes que você chegue aqui”, diz Bárbara Newman, 65, enquanto toma um drinque no La Dulce Casa, um entre o punhado de restaurantes que oferece alimentação aos europeus recém-chegados do norte em busca do sol. Ela e seu marido, Larry, 73, se mudaram para Palomares no ano passado vindos de Stoke-on-Trent, na Inglaterra.

“Você vira alvo de muitas piadas quando as pessoas descobrem que você mora em Palomares”, diz Denise Angus, antes moradora de sul de Gales, que abriu um salão de beleza aqui há quatro anos. “Coisas como, ‘Você vai brilhar no escuro.’”

Entretanto, a maioria dos novos moradores ignora quaisquer preocupações com a saúde, tomando como base os residentes locais e sua notória longevidade.

Em verdade, décadas de monitoramento financiadas pelos Estados Unidos não descobriram nada fora do comum.

“O lado bom é que eles descobrem casos de diabetes ou colesterol alto” que poderiam passar despercebidos, diz Antonia Navarro, proprietária de uma loja de ferramentas. Com 37 anos, ela nasceu depois da queda das bombas, mas já fez três viagens a Madri para exames com sua avó.

O acordo de divisão de custos entre o Departamento de Energia e a Espanha, que teve início em 1966, foi programado para terminar em 2008. Mas, em outubro de 2006, oficiais da agência de pesquisa de energia da Espanha, a Ciemat, relatou a descoberta de lesmas radioativas, exigindo mais trabalho.

Um ano atrás, os Estados Unidos concordaram em pagar US$ 2 milhões por mais dois anos de “assistência técnica”, de acordo com o jornal espanhol "El País". Em abril, a Ciemat identificou dois fossos contendo cerca de 1.000 metros cúbicos cada de material radioativo que havia sido deixado para trás, disse ao jornal Teresa Mendizabal, diretora de estudos ambientais da Ciemat.

Maria, 48 anos, dona do Bar Tomás, na Constitution Square, disse: “Eles vieram e limparam e agora, 42 anos depois, eles estão limpando de novo. A agência nuclear nacional precisa de justificativas para continuar trabalhando.”

Novas cercas, marcadas com placas de advertência, foram levantadas ao redor da terra, perto do cemitério da cidade. Bem perto estão as empresas agricultoras. Logo depois ficam os apartamentos dos caçadores-de-sol e o mar reluzente.

“Já existem buracos nas cercas, e cabras entram para pastar”, disse superficialmente Maria, a dona do bar, que também se recusou a informar o sobrenome.

Ela tinha 6 anos quando as bombas caíram e tem ternas lembranças de soldados americanos trazendo biscoitos e doces. “Achávamos que era como chocolate que vinha do céu”, disse Maria.

Ela disse acreditar que a cidade deveria ter algum tipo de memorial, pelo bem da posteridade. Mas chega de manchetes. “Nós gostaríamos que isso terminasse e que pudéssemos recomeçar uma vida normal.


Fontes: G1.com em 27/09/08 - 13h00 - Atualizado em 27/09/08 - 13h00
Esquerda.net Artigo | 9 Fevereiro, 2011 - 13:47 | Por Rui Curado Silva