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domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Homem que Salvou O Mundo Não Fazendo Nada





Stanislav Petrov (nascido em 1939) é um coronel reformado do Exército Vermelho que, em 26 de setembro de 1983, evitou uma potencial guerra nuclear ao se recusar a aceitar que mísseis estadunidenses tinham sido lançados contra a URSS, apesar da indicação dada pelo sistema de alerta computadorizado. Os alertas do computador soviético mais tarde se revelaram errados, e Petrov ficou como a pessoa que evitou a Terceira Guerra Mundial e a devastação de boa parte da Terra por armas nucleares. Por causa do sigilo militar e de diferenças políticas e internacionais, os atos de Petrov foram mantidos em segredo até 1998.

O Tenente-Coronel Stanislav Petrov era o oficial do dia no bunker Serpukhov-15 perto de Moscovo no dia 26 de setembro de 1983, época da Guerra Fria. Apenas três semanas e meia antes, os soviéticos haviam derrubado um avião Boeing 747 sul-coreano, matando 269 abordo. A responsabilidade do Tenente-Coronel Petrov era observar a rede de alerta preventivo por satélites e notificar seus superiores sobre qualquer possível ataque com míssil nuclear contra a URSS. Caso isto ocorresse, a estratégia da União Soviética era lançar imediatamente um contra-ataque nuclear maciço contra os Estados Unidos, como previsto pela doutrina da Destruição Mútua Assegurada.
Pouco após a meia-noite, os computadores do bunker indicaram que um míssil estadunidense se movia em direção à União Soviética. O Tenente-Coronel Petrov deduziu que havia ocorrido um erro do computador, já que os Estados Unidos não lançariam apenas um míssil se estivessem atacando a União Soviética, e sim vários ao mesmo tempo. Além disso, a confiabilidade do sistema por satélite havia sido questionada anteriormente. Por isso, ele considerou o alerta como alarme falso, concluindo que de fato não havia míssil lançado pelos EUA.

Pouco tempo depois, os computadores indicavam que um segundo míssil tinha sido lançado, a seguir dum terceiro, um quarto e um quinto. Petrov ainda acreditava que o sistema computadorizado estava errado, mas não tinha mais outras fontes de informação para poder confirmar as suas suspeitas. O radar terrestre da União Soviética não tinha capacidade para detectar mísseis além do horizonte, então quando o radar terrestre pudesse positivamente identificar a ameaça, seria tarde demais.

Percebendo que se ele estivesse equivocado, mísseis nucleares logo estariam a chover sobre a URSS, Petrov decidiu confiar na sua intuição e declarou as indicações do sistema como alarme falso. Após um breve momento, ficou claro que seu instinto estava certo. A crise fez nele grande pressão e muito nervosismo, mas o juízo de Petrov foi correto. Uma guerra nuclear de escala total tinha sido evitada.
Não estava agendado para Petrov estar de guarda aquela noite. Não estivesse ele lá, seria possível que um outro oficial no comando tivesse feito a decisão contrária.
Apesar de ter prevenido um potencial desastre nuclear, Petrov desobedecera ordens e desafiara o protocolo militar. Mais tarde, ele sofreu intenso questionamento pelos seus superiores sobre a sua atitude durante a prova de fogo, o resultado disso foi que ele não mais foi considerado um oficial militar confiável.
O exército Soviético não puniu Petrov pelas suas ações, mas não reconheceu ou honrou-lo também. Suas ações haviam revelado imperfeições no sistema militar Soviético o que deixou seus superiores em maus lençóis. Foi-lhe feita uma reprimenda, oficialmente pelo arquivamento improprio de papelada de trabalho, e sua, uma vez promissora, carreira chegou ao fim. Ele foi recolocado para um posto menos sensível e por fim retirado do serviço militar.

Petrov continuou vivendo na Rússia como pensionista, passando sua aposentadoria em pobreza, na cidade de Fryazino. Ele disse que não se considera um herói pelo que fez naquele dia, mas mesmo assim, em 21 de Maio de 2004, uma associação californiana, chamada Association of World Citizens, deu ao Coronel Petrov seu prêmio World Citizen Award, junto com um troféu e US$ 1.000,00 em reconhecimento ao papel exercido ao evitar a catástrofe.

Menos de dois meses após o evento de Setembro de 1983, a ABC, rede de TV norte americana. televisionou o controverso filme The Day After. O drama de ficção trata de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética e que efeitos isto teria em famílias vivendo numa típica cidade americana. Hoje em dia, acontecimanentos envolvendo Petrov permanecem desconhecidos ao público americano. A maioria das pessoas pensa (incorretamente) que a Crise dos Mísseis de Cuba, vinte anos antes, foi o evento mais recente que poderia ter eclodido numa guerra nuclear.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Escoteiro Radioativo


David Charles Hahn (nascido em 30 outubro de 1976), também chamado de "escoteiro radioativo" ou "Boy Scout Nuclear", é um americano que tentou construir um reator nuclear caseiro em 1994, aos 17 anos. Um escoteiro membro dos garotos escoteiros da america , Hahn conduzia seus experimentos em segredo em um quintal na casa de sua mãe em Comércio Township, Michigan . Embora nunca o seu reator tenha atingido massa crítica , Hahn atraiu a atenção da polícia local que encontraram materiais radioativos no porta-malas de seu carro. A propriedade de sua mãe foi limpa pela Agência de Proteção Ambiental dez meses mais tarde sendo selada em concreto. Hahn atingiu o posto mais alto e a medalha da associação Boy Scouts of America logo após seu reator ser desmontado.

Embora o incidente não foi amplamente divulgado inicialmente, tornou-se mais conhecido após um artigo do jornalista Ken Silverstein em 1998 . Hahn é também o tema do livro de mesmo nome de Silverstein 2004, The Boy Scout radioative.

Hahn é um escoteiro que recebeu uma medalha de mérito em Energia Atómica e passou anos mexendo com química que, por vezes, resultou em pequenas explosões e outros percalços. Ele foi inspirado em parte pela leitura de O Livro de Ouro dos experimentos científicos , e tentou coletar amostras de cada elemento da tabela periódica , incluindo os radioativos. Hahn diligentemente acumulou estes materiais por coleta de pequenas quantidades de produtos domésticos, como o amerício de detectores de fumaça , de tório da lanterna de acampamento mantos , rádio de relógios e de trítio (como moderador de nêutrons ) de artigos de visão noturna de armas.

Hahn posou como um cientista adulto ou professor para ganhar a confiança de muitos profissionais em letras, apesar da presença de erros de ortografia e erros óbvios em suas cartas a eles. Hahn finalmente tinha a esperança de criar um reator reprodutor, usando isótopos de baixo nível  para transformar amostras de tório e urânio em isótopos físseis.

Embora nunca tenha sido seu reator caseiro alcançado massa crítica, acabou emitindo níveis perigosos de radioatividade, provavelmente bem mais de mil vezes o normal da radiação de fundo . Alarmado, Hahn começou a desmantelar suas experiências, mas um encontro casual com a polícia levou à descoberta de suas atividades, o que provocou uma resposta de emergência radiológica Federal envolvendo o FBI ea Comissão Reguladora Nuclear . Em 26 de junho de 1995, a United States Environmental Protection Agency , tendo designado propriedade mãe Hahn como um sitio profundo de limpeza de materiais perigosos, desmontados no barracão e seu conteúdo e enterrou-os como de baixo nível de resíduos radioactivos em Utah. Hahn recusou avaliação médica para exposição à radiação .

Depois de abandonar a comunidade universitária , Hahn entrou para a Marinha , designado para o de propulsão nuclear porta-aviões USS Enterprise como um designado marinheiro .

Hahn tinha a esperança de seguir uma carreira como especialista nuclear. Cientistas da EPA acredita que Hahn pode ter excedido a dosagem de vida para exposição radiológica ao tório, mas ele recusou a recomendação de que ele  deveria ser analisado por especialistas na Usina Nuclear Enrico Fermi

Em 1 de agosto de 2007, Hahn foi preso em Clinton Township, Michigan por furto , em relação a uma questão que envolve vários detectores de fumaça , supostamente retirados das salas de seu prédio. Em sua foto da ficha criminal, seu rosto está coberto de feridas que os investigadores afirmam que são, possivelmente, da exposição a materiais radioativos. Durante uma audiência na Corte do Circuito, Hahn declarou culpado de furto tentado de um edifício. A corte do tribunal disse que os promotores recomendaram que ele fosse condenado a tempo de serviço e introduzir um centro de tratamento hospitalar. Sob os termos do fundamento, a carga original de furto de um edifício seria demitido na sentença, marcada para 04 de outubro. Ele foi sentenciado a 90 dias de prisão por furto tentado. Registros do tribunal afirmou que a sentença seria adiada por seis meses, enquanto Hahn foi submetido a tratamento médico.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sueco foi parar atrás das grades por tentar dividir átomos num experimento na própria cozinha.







Experimentos nucleares são perigosos e restritos apenas a pesquisadores em universidades e grandes laboratórios, certo? Não é o que pensa o sueco Richard Handl. Ele foi preso após tentar dividir átomos em sua casa, construindo uma espécie de reator nuclear em sua cozinha.
Mantendo elementos como rádio, urânio e amerício em seu apartamento, Handl foi descoberto após enviar uma dúvida para o Sweden’s Radiation Authority, órgão sueco que controla atividades do gênero no país. No email, ele questionava se o que estava fazendo era ilegal ou não.
“Eu apenas queria descobrir se era possível ou não dividir átomos em casa”, explica Richard. Embora ele não tenha descoberto se isso é possível, o governo sueco não permitiu a continuidade do experimento e prendeu Handl. Se condenado, ele poderá pegar até dois anos de prisão.
Para quem quiser conferir como foi o experimento de Richard, ele mantém um blog pessoal onde explica tudo o que fez antes de ser preso.


Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/12185-homem-e-preso-por-tentar-construir-um-reator-nuclear-em-casa.htm#ixzz1vEllquJr

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Incidente Nuclear de Palomares


Na manhã de 17 de janeiro de 1966, um bombardeiro B-52 da Força Aérea dos Estados Unidos, retornando de uma missão de rotina, colidiu com o avião-tanque que iria reabastecê-lo. A explosão resultante destruiu as duas aeronaves e lançou as bombas de hidrogênio do bombardeiro diretamente para o solo. Uma caiu nas águas azuis do Mediterrâneo, e três outras caíram perto dessapobre vila de agricultores, a cerca de 200 quilômetros a leste de Granada.

Sete tripulantes pereceram na bola de fogo, enquanto quatro se salvaram usando seus pára-quedas. Ninguém em terra morreu. As ogivas nucleares, muito mais poderosas que as lançadas em Hiroshima, não foram detonadas.

Mas os pára-quedas falharam em duas das bombas, resultando em detonações de explosivos fortes que, embora não-nucleares, espalharam material radioativo numa ampla área de terreno acidentado e rochoso.

Um enorme esforço de recuperação e limpeza se seguiu, com centenas de militares americanos e guardas civis espanhóis examinando a área durante meses. Dezenas de milhões de dólares foram gastos. Finalmente, com o trabalho feito, eles foram para casa, e a atenção foi desviada para qualquer outro lugar.

Os quase 1.200 residentes de Palomares também queriam esquecer o acidente. Hoje, o meio de vida vai além da agricultura e depende mais de atrair nortistas sedentos de sol para vastos prédios de apartamentos com vista para o mar e oásis de golfe.

Mas o passado literalmente ressurgiu com a recente descoberta de lesmas anormalmente radioativas e o confisco de trechos de terra para testes e limpeza adicionais. Não exatamente um argumento de venda para os melões e tomates ainda cultivados em larga escala, em estufas cobertas de plástico ali perto, e muito menos para uma vida sem preocupações na praia.
“Isso está prejudicando a vila”, diz um agricultor aposentado de 74 anos, Antonio, fumando do lado de fora do centro de idosos de Palomares. “Está acontecendo há quarenta anos. Queremos que acabe para sempre.”

Grande parte da incerteza de hoje remete ao segredo imposto à época pelo regime opressor de Franco e pelo Pentágono.
Tudo começou logo após as 10h em um limpo dia de inverno.
“Houve uma grande explosão”, contou rancorosamente Antonio, que se recusou a dizer seu sobrenome. “Voavam coisas por todos os lados. Todos correram para fora.”

Ninguém sabia o que havia acontecido, mas os primeiros soldados americanos chegaram numa questão de horas. Somente depois que os soviéticos acusaram Washington de violar um tratado banindo os testes nucleares é que os Estados Unidos admitiram, mais de um mês depois, que os detonadores em duas das três bombas que aterrissaram aqui haviam explodido com o impacto.
A bomba que atingiu o solo mais ou menos intacta foi rapidamente recuperada, enquanto a que aterrissou no Mediterrâneo levou meses para ser localizada. Cerca de 1.270 toneladas métricas de solo e vegetação contaminados foram colhidas e enviadas à Carolina do Sul para tratamento.

Oficiais tentaram de todas as maneiras acalmar os temores públicos. Em certo ponto, o ministro de informação e turismo espanhol, Manuel Fraga Iribarne, reuniu-se com o embaixador americano, Angier Biddle Duke, para uma “festividade de natação” no mar para demonstrar que as águas estavam seguras. As fotos foram publicadas em todo o mundo (incluindo a primeira página do "New York Times").

Em Palomares, hoje, não há memorial ou museu, apenas uma pequena rua lateral chamada “17 de Janeiro, 1966”, sem explicações. Na biblioteca, uma modesta pasta de plástico contém cópias de recortes de notícias em espanhol, francês, alemão e inglês.
Talvez uma vez por mês alguém peça para vê-los, de acordo com a bibliotecária, mas nada foi adicionado desde 1985.

“Eles não te contam a respeito antes que você chegue aqui”, diz Bárbara Newman, 65, enquanto toma um drinque no La Dulce Casa, um entre o punhado de restaurantes que oferece alimentação aos europeus recém-chegados do norte em busca do sol. Ela e seu marido, Larry, 73, se mudaram para Palomares no ano passado vindos de Stoke-on-Trent, na Inglaterra.

“Você vira alvo de muitas piadas quando as pessoas descobrem que você mora em Palomares”, diz Denise Angus, antes moradora de sul de Gales, que abriu um salão de beleza aqui há quatro anos. “Coisas como, ‘Você vai brilhar no escuro.’”

Entretanto, a maioria dos novos moradores ignora quaisquer preocupações com a saúde, tomando como base os residentes locais e sua notória longevidade.

Em verdade, décadas de monitoramento financiadas pelos Estados Unidos não descobriram nada fora do comum.

“O lado bom é que eles descobrem casos de diabetes ou colesterol alto” que poderiam passar despercebidos, diz Antonia Navarro, proprietária de uma loja de ferramentas. Com 37 anos, ela nasceu depois da queda das bombas, mas já fez três viagens a Madri para exames com sua avó.

O acordo de divisão de custos entre o Departamento de Energia e a Espanha, que teve início em 1966, foi programado para terminar em 2008. Mas, em outubro de 2006, oficiais da agência de pesquisa de energia da Espanha, a Ciemat, relatou a descoberta de lesmas radioativas, exigindo mais trabalho.

Um ano atrás, os Estados Unidos concordaram em pagar US$ 2 milhões por mais dois anos de “assistência técnica”, de acordo com o jornal espanhol "El País". Em abril, a Ciemat identificou dois fossos contendo cerca de 1.000 metros cúbicos cada de material radioativo que havia sido deixado para trás, disse ao jornal Teresa Mendizabal, diretora de estudos ambientais da Ciemat.

Maria, 48 anos, dona do Bar Tomás, na Constitution Square, disse: “Eles vieram e limparam e agora, 42 anos depois, eles estão limpando de novo. A agência nuclear nacional precisa de justificativas para continuar trabalhando.”

Novas cercas, marcadas com placas de advertência, foram levantadas ao redor da terra, perto do cemitério da cidade. Bem perto estão as empresas agricultoras. Logo depois ficam os apartamentos dos caçadores-de-sol e o mar reluzente.

“Já existem buracos nas cercas, e cabras entram para pastar”, disse superficialmente Maria, a dona do bar, que também se recusou a informar o sobrenome.

Ela tinha 6 anos quando as bombas caíram e tem ternas lembranças de soldados americanos trazendo biscoitos e doces. “Achávamos que era como chocolate que vinha do céu”, disse Maria.

Ela disse acreditar que a cidade deveria ter algum tipo de memorial, pelo bem da posteridade. Mas chega de manchetes. “Nós gostaríamos que isso terminasse e que pudéssemos recomeçar uma vida normal.


Fontes: G1.com em 27/09/08 - 13h00 - Atualizado em 27/09/08 - 13h00
Esquerda.net Artigo | 9 Fevereiro, 2011 - 13:47 | Por Rui Curado Silva