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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fleischmann, Fusão a Frio e A Ciência Na Berlinda



Por Zé Zinho

Martin Fleischmann e a deterioração da Ciência

Do Alerta em Rede


Com a morte do eletroquímico britânico Martin Fleischmann, aos 85 anos, em 3 de agosto, o mundo perde não apenas um raro cientista capaz de atuar com desassombro nos limites do conhecimento e aportar importantes contribuições a ele, como também um símbolo do deplorável estado em que a prática científica mergulhou, nas últimas décadas, com a sua submissão cada vez maior a agendas políticas e de interesses restritos.
Em uma entrevista coletiva, em março de 1989, Fleischmann e seu colega estadunidense Stanley Pons, ambos pesquisadores da Universidade de Utah, anunciaram que haviam obtido reações de fusão nuclear à temperatura ambiente, em um dispositivo integrado por um cátodo de paládio imerso em água enriquecida com deutério (hidrogênio-2), alimentado por uma bateria comum – ou seja, um processo de eletrólise. Na ocasião, Fleischmann afirmou que o fenômeno “abria as portas para uma nova área de pesquisa” sobre uma “tecnologia que pode ser utilizada para a geração de calor e energia”.
Embora não tenha seguido as normas de comunicação de pesquisas científicas, divulgando os resultados à mídia antes de publicá-los em uma revista revisada por pares, o anúncio deflagrou um imediato entusiasmo quanto à perspectiva de obtenção de uma fonte energética “limpa” e virtualmente inesgotável, que afastaria os temores que já se manifestavam em relação aos combustíveis fósseis. Imediatamente, cientistas de todo o mundo se empenharam em tentar reproduzir os resultados anunciados, especificamente, a geração de calor em excesso sobre a energia introduzida no sistema e a emissão de nêutrons e trítio (hidrogênio-3) – o que denotaria tratar-se de uma reação nuclear. Em poucos dias, o fenômeno ficou conhecido como “fusão a frio”, embora Fleischmann e Pons não se referissem a ele desta forma.
Desafortunadamente, o fenômeno não se mostrou tão simples de ser reproduzido e, devido ao grande número de experiências frustradas, Fleischmann e Pons começaram a ser acusados de fraude e incapacidade científica, tanto por alguns de seus pares como pela mídia. Meses depois, um painel de cientistas organizado pelo Departamento de Energia dos EUA concluiu que não havia evidências de que o fenômeno se devia a processos nucleares e não recomendou grandes investimentos em um programa de pesquisas especial para estudá-lo. A decisão contribuiu, não apenas, para esvaziar o interesse geral no assunto, como, também, para que a expressão “fusão a frio” se convertesse em objeto de ridículo.
Entretanto, aparentemente, tais reações envolviam algo mais que uma mera exigência de rigor científico. Entre os principais críticos da dupla de eletroquímicos e do fenômeno, estavam os físicos que trabalhavam com pesquisas de fusão “a quente”, em caríssimos equipamentos como os reatores Tokamak e orçamentos da ordem de dezenas a centenas de milhões de dólares. Evidentemente, muitos deles não viam muito favoravelmente a perspectiva de que o objeto de suas pesquisas poderia ser atingido por um caminho bem mais simples e com orçamentos uma ou duas ordens de grandeza menores. No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), um dos líderes das pesquisas de fusão nuclear tradicional, a rejeição ao fenômeno chegou ao ponto de alguns cientistas ocultarem os resultados positivos de obtenção de excesso de energia, em uma experiência crucial, tendo anunciado que os resultados haviam sido negativos. A farsa foi, oportunamente, denunciada pelo Dr. Eugene Mallove, então redator-chefe do departamento de imprensa do MIT, que renunciou ao posto, em protesto e, posteriormente, descreveu a razia contra o fenômeno e seus estudiosos, no livro Fire from Ice: Searching for the Truth Behind the Cold Fusion Furor (Fogo do gelo: em busca da verdade por trás do furor sobre a fusão a frio), lançado em 1991.
Igualmente reveladoras foram as reações de alguns dos gurus do flamante movimento ambientalista internacional, que, na época, ganhava força com a agenda do aquecimento global antropogênico, contemplada com a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), no final de 1988.
Em uma entrevista ao jornal Los Angeles Times, em abril de 1989, algumas semanas após a entrevista de Fleischmann e Pons, o economista Jeremy Rifkin foi categórico: “É a pior coisa que poderia acontecer ao nosso planeta.” Seu correligionário, o biólogo Paul Ehrlich, um arquimalthusiano que vem pregando uma catástrofe demográfica há mais de quatro décadas, disparou: “Seria como colocar uma metralhadora nas mãos de uma criança retardada.”
Se houvesse, tanto da parte de tais críticos, qualquer laivo de honestidade em seus pleitos pela obediência aos rigores da prática científica consagrada e pelos cuidados com o meio ambiente, seria de se esperar que um fenômeno novo como o anunciado por Fleischmann e Pons atraísse esforços sérios no sentido do seu entendimento. Quanto mais não fosse, pela perspectiva de abertura de uma nova área de conhecimento dos fenômenos universais e, não menos, de a Humanidade se encontrar, efetivamente, diante de uma revolucionária fonte energética. O que se viu, porém, foi uma feroz barragem de críticas e detratações, poucas vezes vista. E o mais irônico – e emblemático – é que muitos desses críticos e detratores, cientistas inclusive, se mostrariam ser ardentes defensores de fraudes científicas notórias, como a suposta influência humana no clima global.
Nos anos seguintes, apesar das repercussões negativas, as pesquisas sobre o fenômeno continuaram sendo feitas, em vários países, por grupos de pesquisadores que adotaram um perfil baixo, atuando quase como membros de uma confraria secreta, criando meios próprios de divulgação e troca de informações, inclusive, em congressos internacionais. Entre 12-17 de agosto, realiza-se em Daejeon, Coreia do Sul, a 17ª. Conferência Internacional sobre Fusão a Frio (a denominação “fusão a frio” foi mantida por motivos históricos, embora o fenômeno seja atualmente conhecido como “reações nucleares de baixa energia”, ou LENR, na sigla em inglês). Entre os países que têm grupos dedicados ao assunto, destacam-se os EUA, Rússia, Itália, Japão, Coreia do Sul, China e Índia. Literalmente, dezenas de milhares de experiências já foram realizadas, com altos níveis de repetibilidade das observações relatadas por Fleischmann e Pons, o que denota a realidade do fenômeno.
Em novembro de 2009, a Agência de Inteligência de Defesa (DIA) dos EUA divulgou um relatório com uma rigorosa avaliação do estado da arte das pesquisas sobre o fenômeno. Intitulado “Prognóstico tecnológico: pesquisas sobre reações nucleares de baixa energia aumentando e ganhando aceitação em todo o mundo”, o documento faz uma avaliação bastante otimista, como sintetizado na introdução:
Nos últimos 20 anos, cientistas de todo o mundo têm investigado as reações nucleares de baixa energia (LENR). Os pesquisadores desta área controvertida estão, atualmente, anunciando resultados capazes de mudar os paradigmas [científicos] existentes, inclusive, a geração de grandes quantidades de calor em excesso, atividades nucleares e transmutação de elementos. Embora não exista uma teoria vigente, que explique todos os fenômenos descritos, alguns cientistas acreditam que podem estar ocorrendo reações nucleares ao nível quântico. A DIA avalia, com alto nível de confiança, que, se as LENR puderem produzir energia de origem nuclear às temperaturas ambientes, esta tecnologia impactante poderá revolucionar a produção e o armazenamento de energia, uma vez que as reações nucleares liberam milhões de vezes mais energia por unidade de massa do que qualquer outro combustível químico conhecido.
Sabendo-se que a DIA é uma das mais rigorosas e profissionais das 16 agências do colossal aparato de inteligência estadunidense, a sua avaliação merece ser devidamente considerada pelos formuladores de políticas de todos os países.
Como a quase totalidade dos pesquisadores do fenômeno, Fleischmann e Pons foram forçados a “submergir”. Em 1992, eles se mudaram para a França, para continuar as pesquisas em um laboratório financiado por uma subsidiária da empresa japonesa Toyota. Porém, por divergências com a direção do laboratório, Fleischmann se retirou do projeto em 1995 e voltou para a Inglaterra, onde se aposentou. Igualmente, Pons se retiraria, no ano seguinte, e o projeto foi encerrado em 1998.
Entretanto, Fleischmann continuou colaborando com outros pesquisadores, nos EUA e na Itália, até ser obrigado a retirar-se de vez, por problemas de saúde, que incluíam a doença de Parkinson, problemas cardíacos e diabetes. Ele morreu em sua residência, em Tisdale (é significativo das distorções que envolvem a atividade científica e sua percepção pela sociedade, o fato de que a sua morte tenha sido ignorada pela mídia brasileira).
Fleischmann, que teve a inspiração original para as pesquisas iniciais com Pons, foi um daqueles raros gigantes da Ciência capazes de influenciar com seu trabalho os rumos do conhecimento e, por extensão, da própria evolução da Humanidade. Por isso, recorremos à sintética avaliação do editor do site E-cat World, um dos muitos dedicados à divulgação das pesquisas sobre o tema:
“Provavelmente, o legado póstumo de Martin Fleischmann será muito maior do que o que foi em sua vida. O seu trabalho deflagrou uma revolução em fogo lento, que parece estar pronta para entrar em ignição.”

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Homem que Salvou O Mundo Não Fazendo Nada





Stanislav Petrov (nascido em 1939) é um coronel reformado do Exército Vermelho que, em 26 de setembro de 1983, evitou uma potencial guerra nuclear ao se recusar a aceitar que mísseis estadunidenses tinham sido lançados contra a URSS, apesar da indicação dada pelo sistema de alerta computadorizado. Os alertas do computador soviético mais tarde se revelaram errados, e Petrov ficou como a pessoa que evitou a Terceira Guerra Mundial e a devastação de boa parte da Terra por armas nucleares. Por causa do sigilo militar e de diferenças políticas e internacionais, os atos de Petrov foram mantidos em segredo até 1998.

O Tenente-Coronel Stanislav Petrov era o oficial do dia no bunker Serpukhov-15 perto de Moscovo no dia 26 de setembro de 1983, época da Guerra Fria. Apenas três semanas e meia antes, os soviéticos haviam derrubado um avião Boeing 747 sul-coreano, matando 269 abordo. A responsabilidade do Tenente-Coronel Petrov era observar a rede de alerta preventivo por satélites e notificar seus superiores sobre qualquer possível ataque com míssil nuclear contra a URSS. Caso isto ocorresse, a estratégia da União Soviética era lançar imediatamente um contra-ataque nuclear maciço contra os Estados Unidos, como previsto pela doutrina da Destruição Mútua Assegurada.
Pouco após a meia-noite, os computadores do bunker indicaram que um míssil estadunidense se movia em direção à União Soviética. O Tenente-Coronel Petrov deduziu que havia ocorrido um erro do computador, já que os Estados Unidos não lançariam apenas um míssil se estivessem atacando a União Soviética, e sim vários ao mesmo tempo. Além disso, a confiabilidade do sistema por satélite havia sido questionada anteriormente. Por isso, ele considerou o alerta como alarme falso, concluindo que de fato não havia míssil lançado pelos EUA.

Pouco tempo depois, os computadores indicavam que um segundo míssil tinha sido lançado, a seguir dum terceiro, um quarto e um quinto. Petrov ainda acreditava que o sistema computadorizado estava errado, mas não tinha mais outras fontes de informação para poder confirmar as suas suspeitas. O radar terrestre da União Soviética não tinha capacidade para detectar mísseis além do horizonte, então quando o radar terrestre pudesse positivamente identificar a ameaça, seria tarde demais.

Percebendo que se ele estivesse equivocado, mísseis nucleares logo estariam a chover sobre a URSS, Petrov decidiu confiar na sua intuição e declarou as indicações do sistema como alarme falso. Após um breve momento, ficou claro que seu instinto estava certo. A crise fez nele grande pressão e muito nervosismo, mas o juízo de Petrov foi correto. Uma guerra nuclear de escala total tinha sido evitada.
Não estava agendado para Petrov estar de guarda aquela noite. Não estivesse ele lá, seria possível que um outro oficial no comando tivesse feito a decisão contrária.
Apesar de ter prevenido um potencial desastre nuclear, Petrov desobedecera ordens e desafiara o protocolo militar. Mais tarde, ele sofreu intenso questionamento pelos seus superiores sobre a sua atitude durante a prova de fogo, o resultado disso foi que ele não mais foi considerado um oficial militar confiável.
O exército Soviético não puniu Petrov pelas suas ações, mas não reconheceu ou honrou-lo também. Suas ações haviam revelado imperfeições no sistema militar Soviético o que deixou seus superiores em maus lençóis. Foi-lhe feita uma reprimenda, oficialmente pelo arquivamento improprio de papelada de trabalho, e sua, uma vez promissora, carreira chegou ao fim. Ele foi recolocado para um posto menos sensível e por fim retirado do serviço militar.

Petrov continuou vivendo na Rússia como pensionista, passando sua aposentadoria em pobreza, na cidade de Fryazino. Ele disse que não se considera um herói pelo que fez naquele dia, mas mesmo assim, em 21 de Maio de 2004, uma associação californiana, chamada Association of World Citizens, deu ao Coronel Petrov seu prêmio World Citizen Award, junto com um troféu e US$ 1.000,00 em reconhecimento ao papel exercido ao evitar a catástrofe.

Menos de dois meses após o evento de Setembro de 1983, a ABC, rede de TV norte americana. televisionou o controverso filme The Day After. O drama de ficção trata de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética e que efeitos isto teria em famílias vivendo numa típica cidade americana. Hoje em dia, acontecimanentos envolvendo Petrov permanecem desconhecidos ao público americano. A maioria das pessoas pensa (incorretamente) que a Crise dos Mísseis de Cuba, vinte anos antes, foi o evento mais recente que poderia ter eclodido numa guerra nuclear.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Escoteiro Radioativo


David Charles Hahn (nascido em 30 outubro de 1976), também chamado de "escoteiro radioativo" ou "Boy Scout Nuclear", é um americano que tentou construir um reator nuclear caseiro em 1994, aos 17 anos. Um escoteiro membro dos garotos escoteiros da america , Hahn conduzia seus experimentos em segredo em um quintal na casa de sua mãe em Comércio Township, Michigan . Embora nunca o seu reator tenha atingido massa crítica , Hahn atraiu a atenção da polícia local que encontraram materiais radioativos no porta-malas de seu carro. A propriedade de sua mãe foi limpa pela Agência de Proteção Ambiental dez meses mais tarde sendo selada em concreto. Hahn atingiu o posto mais alto e a medalha da associação Boy Scouts of America logo após seu reator ser desmontado.

Embora o incidente não foi amplamente divulgado inicialmente, tornou-se mais conhecido após um artigo do jornalista Ken Silverstein em 1998 . Hahn é também o tema do livro de mesmo nome de Silverstein 2004, The Boy Scout radioative.

Hahn é um escoteiro que recebeu uma medalha de mérito em Energia Atómica e passou anos mexendo com química que, por vezes, resultou em pequenas explosões e outros percalços. Ele foi inspirado em parte pela leitura de O Livro de Ouro dos experimentos científicos , e tentou coletar amostras de cada elemento da tabela periódica , incluindo os radioativos. Hahn diligentemente acumulou estes materiais por coleta de pequenas quantidades de produtos domésticos, como o amerício de detectores de fumaça , de tório da lanterna de acampamento mantos , rádio de relógios e de trítio (como moderador de nêutrons ) de artigos de visão noturna de armas.

Hahn posou como um cientista adulto ou professor para ganhar a confiança de muitos profissionais em letras, apesar da presença de erros de ortografia e erros óbvios em suas cartas a eles. Hahn finalmente tinha a esperança de criar um reator reprodutor, usando isótopos de baixo nível  para transformar amostras de tório e urânio em isótopos físseis.

Embora nunca tenha sido seu reator caseiro alcançado massa crítica, acabou emitindo níveis perigosos de radioatividade, provavelmente bem mais de mil vezes o normal da radiação de fundo . Alarmado, Hahn começou a desmantelar suas experiências, mas um encontro casual com a polícia levou à descoberta de suas atividades, o que provocou uma resposta de emergência radiológica Federal envolvendo o FBI ea Comissão Reguladora Nuclear . Em 26 de junho de 1995, a United States Environmental Protection Agency , tendo designado propriedade mãe Hahn como um sitio profundo de limpeza de materiais perigosos, desmontados no barracão e seu conteúdo e enterrou-os como de baixo nível de resíduos radioactivos em Utah. Hahn recusou avaliação médica para exposição à radiação .

Depois de abandonar a comunidade universitária , Hahn entrou para a Marinha , designado para o de propulsão nuclear porta-aviões USS Enterprise como um designado marinheiro .

Hahn tinha a esperança de seguir uma carreira como especialista nuclear. Cientistas da EPA acredita que Hahn pode ter excedido a dosagem de vida para exposição radiológica ao tório, mas ele recusou a recomendação de que ele  deveria ser analisado por especialistas na Usina Nuclear Enrico Fermi

Em 1 de agosto de 2007, Hahn foi preso em Clinton Township, Michigan por furto , em relação a uma questão que envolve vários detectores de fumaça , supostamente retirados das salas de seu prédio. Em sua foto da ficha criminal, seu rosto está coberto de feridas que os investigadores afirmam que são, possivelmente, da exposição a materiais radioativos. Durante uma audiência na Corte do Circuito, Hahn declarou culpado de furto tentado de um edifício. A corte do tribunal disse que os promotores recomendaram que ele fosse condenado a tempo de serviço e introduzir um centro de tratamento hospitalar. Sob os termos do fundamento, a carga original de furto de um edifício seria demitido na sentença, marcada para 04 de outubro. Ele foi sentenciado a 90 dias de prisão por furto tentado. Registros do tribunal afirmou que a sentença seria adiada por seis meses, enquanto Hahn foi submetido a tratamento médico.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os Faróis Nucleares Esquecidos da Rússia







Todo o norte da Rússia forma um vasto território com milhares de quilômetros de costa banhados por seis mares: Barents, Branco, Kara, Laptev, Sibéria Oriental e Chuckchi. Quase toda a costa norte está além do círculo polar ártico, sendo que alguns territórios se localizam milhares de quilômetros ACIMA da linha polar. A maior parte destas terras tem luz solar apenas 100 dias por ano, por causa dos extremos ângulos latitudinais envolvidos, de mais de 70º.

Mesmo sendo regiões completamente desabitadas, há um constante tráfego de navios cargueiros que fazem a rota de ligação entre o ocidente e o oriente pela rota polar. Atualmente a navegação nas águas geladas do oceano ártico é feita através de sofisticados sistemas de localização por GPS e outros balizamentos eletrônicos. Todavia, durante os anos de ferro do império soviético, não havia sistemas de localização por satélite.




Assim, o partido comunista da União Soviética decidiu o estabelecimento de uma rede de faróis ao longo das longínquas praias desabitadas que fornecessem sinais visuais e radiofônicos aos navios que singravam os mares árticos nas longas noites polares. Vários faróis foram erguidos, mas havia um problema: eles deveriam funcionar em regime desatendido e com manutenção zero, isto porque, por se localizarem a milhares de quilômetros longe das áreas povoadas mais próximas, era humanamente impossível alojar faroleiros permanentes que operassem os equipamentos, devido à severidade do clima de regiões mais inóspitas do Planeta.

Depois de analisar as diferentes alternativas que atendessem à demanda de funcionamento por anos sem a necessidade de manutenção e sem fonte de energia esgotável em curto prazo, os engenheiros soviéticos decidiram implantar reatores nucleares que alimentariam os faróis. Então, foram desenvolvidos especialmente para este fim reatores atômicos pequenos e leves que pudessem ser facilmente transportados às terras polares e içados nas respectivas estruturas.

Os pequenos reatores funcionaram de forma autônoma ao longo de décadas, sem necessidade de qualquer intervenção humana, prestando seus serviços devido à impraticabilidade de deslocamentos periódicos de equipes de manutenção. Os faróis eram dotados de tecnologia suficiente para desempenhar autonomamente determinadas tarefas, através de sensores eles captavam a luz ambiente, o que os capacitava a ligar e a desligar o holofote do farol de acordo com as condições de naturais de iluminação.

Em situações de neblina ou nevascas, eles transmitiam através do rádio sinais de alerta às embarcações próximas. Tudo isto, por mais que pareça ter saído de um enredo de ficção científica, realmente aconteceu no tempo da guerra fria, numa época em que a robótica recém engatinhava.

Com o colapso da União Soviética houve um problema, os faróis-robô continuaram funcionando por algum tempo, até entrarem em colapso. A causa foi a mais prosaica de todas: o vandalismo. Com o decorrer dos anos, eles foram sendo aos poucos saqueados por ladrões de metais e destruídos por caçadores de coisas abandonadas. A grande tragédia destes faróis atômicos foi provocada pela ignorância dos vândalos, já que eles não se intimidaram perante as etiquetas amarelas que estampavam o aviso de “Perigo Radioativo”.

Os vândalos, ao ignorarem todos os avisos, quebraram e destruíram o equipamento e levaram o que puderam, deixando para trás as coisas inúteis ou pesadas demais. Por mais que pareça estúpido e bizarro, os saqueadores marretaram os reatores e os reduziram a pedaços, fato que transformou todas as antigas construções dos faróis-robô em perigosos sítios de contaminação radioativa.

As fotos aqui apresentadas foram obtidas de um dos faróis atômicos mais próximos das áreas povoadas ao leste da Rússia. Atualmente há enormes alertas de “RADIOATIVIDADE” estampadas em Placas obstruindo os caminhos que levam aos farol, porém, elas não são o bastante para desencorajar o avanço dos caçadores de coisas exóticas.

Fontes:

English Russia: Abandoned Russian Polar Nuclear Lighthouses. 
www.blogpaedia.com.br/2009/01/faris-nucleares-abandonados-na-rssia.html

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Para Compreender: Trifólio simbolo internacional de radiação



O desenho que representa o símbolo internacional da radiação é chamado Trifólio, nome também dado ao trevo de três folhas. Segundo o físico americano Paul Frame, da Universidade de Michigan, que por anos estudou sua origem, o desenho foi rabiscado pela primeira vez em 1946, por um pequeno grupo de pessoas, no laboratório de radiação da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos.

Este evento foi relatado em uma carta de 1952, escrita por Nels Garden, chefe do Grupo de Saúde do laboratório, na qual ele explica que o círculo central representa a fonte radioativa e as três pás representam a atividade que irradia dela. Paul Frame, para a revista Superinteressante, sugeriu ainda que as três pás referem-se aos diferentes tipos de radiação nuclear: alfa, beta e gama.

Os primeiros sinais impressos em Berkeley tinham um símbolo magenta sobre um fundo azul. Mas essa composição de cores não fez muito sucesso e no início de 1948 o uso do amarelo como fundo foi padronizado no Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos. Naquela época, os responsáveis por escolher uma cor mais apropriada ao sinal de aviso cortaram diversos símbolos magenta e os grampearam em cartões com diferentes cores: ao ar livre, a uma distância de 6 metros, um comitê selecionou o magenta em amarelo como a melhor combinação.

Embora concebido para uso local em Berkeley, o símbolo disseminou-se pelo resto do mundo. Diversas variações da proposta inicial foram sugeridas nos anos seguintes. Somente no final dos anos 50 que o sinal de alerta usado ​​hoje foi regulamentado pelo instituto americano de padronização (ANSI). É permitido tanto o uso do magenta sobre o amarelo, quanto o preto como um substituto para o magenta. Na verdade, preto sobre amarelo é a combinação de cores mais comum fora dos EUA e é, provavelmente, a versão mais conhecida do símbolo.

A inspiração para o símbolo trifólio é cercada de especulações. Para Marshall Brucer, médico-chefe do Instituto Oak Ridge de Estudos Nucleares, esse símbolo era usado em uma doca seca naval perto de Berkeley para avisar sobre as hélices em movimento das embarcações. Já para o físico Paul Frame, o símbolo magenta é muito semelhante ao sinal de advertência de radiação usado antes de 1947, que consistia em um pequeno ponto vermelho com quatro ou cinco linhas saindo da região central. Alguns sugerem ainda que o trifólio tenha semelhança com a bandeira de batalha japonesa, familiar aos povos da costa oeste norte-americana.

“Qualquer que tenha sido a inspiração, foi uma boa escolha, pois o símbolo é simples, fácil de ser desenhado e identificado, não se parece com outros sinais de alerta e é perceptível a grandes distâncias”, completa o físico Paul Frame.

Hoje, em qualquer lugar do mundo, toda substância que emitir radiação deve ter essa imagem por perto. Existem normas específicas para o uso do símbolo em áreas cuja presença humana é controlada, como em prédios de reatores nucleares e em salas de exames de raios-X.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) esclarece que “o símbolo deve ser respeitado e não temido”. Ele serve para alertar as pessoas sobre a POSSÍVEL presença da radiação acima dos níveis naturais.

O símbolo complementar da radiação ionizante

O novo símbolo de advertência de radiação ionizante foi lançado em 15 de fevereiro de 2007, pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) em conjunto com a Organização Internacional para a Padronização (ISO), com o objetivo de reduzir as mortes desnecessárias e os ferimentos sérios de exposição acidental às fontes radioativas de grande porte.

No Brasil, como exemplo de acidente desse tipo, há o ocorrido em Goiânia, em 1987, que gerou um rastro de contaminação por Césio-137 quando um aparelho utilizado em radioterapia (irresponsavelmente abandonado nas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia) foi desmontado por catadores de um ferro velho do local e repassado a terceiros.

Com um fundo vermelho, ondas de irradiação, um crânio e dois ossos cruzados e uma pessoa correndo (!), o novo símbolo serve como um aviso suplementar ao trifólio, que não tem nenhum significado intuitivo e é pouco reconhecido pelo grande público, exceto por aqueles treinados em seu significado.

O novo símbolo foi desenhado por especialistas em fatores humanos, artistas gráficos e peritos em proteção radiológica após um estudo de cinco anos envolvendo 1.650 pessoas de diferentes idades em 11 países, entre eles o Brasil, para garantir que sua mensagem de “PERIGO – MANTENHA-SE AFASTADO” fosse clara e entendida por todos em qualquer lugar do mundo.

O símbolo é indicado para as fontes radiativas mais intensas, capazes de causar a morte ou ferimentos sérios. Integram essas categorias os irradiadores de alimento, os equipamentos para o tratamento de câncer e as unidades de radiografia industrial. Ao contrário do trifólio, esse símbolo é visível somente dentro dos equipamentos, para aqueles que tentarem abri-los, pois o símbolo é fixado no dispositivo que abriga a fonte, como um aviso para não desmontá-lo ou para não ficar próximo deste por muito tempo.

Para saber mais

Radiation Warning Symbol (Trefoil) por Paul Frame (em inglês).
New Symbol Launched to Warn Public About Radiation Dangers
- site IAEA (em inglês)
http://conhecerparadebater.blogspot.com.br/2011/07/entenda-os-simbolos-associados-radiacao.html

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sueco foi parar atrás das grades por tentar dividir átomos num experimento na própria cozinha.







Experimentos nucleares são perigosos e restritos apenas a pesquisadores em universidades e grandes laboratórios, certo? Não é o que pensa o sueco Richard Handl. Ele foi preso após tentar dividir átomos em sua casa, construindo uma espécie de reator nuclear em sua cozinha.
Mantendo elementos como rádio, urânio e amerício em seu apartamento, Handl foi descoberto após enviar uma dúvida para o Sweden’s Radiation Authority, órgão sueco que controla atividades do gênero no país. No email, ele questionava se o que estava fazendo era ilegal ou não.
“Eu apenas queria descobrir se era possível ou não dividir átomos em casa”, explica Richard. Embora ele não tenha descoberto se isso é possível, o governo sueco não permitiu a continuidade do experimento e prendeu Handl. Se condenado, ele poderá pegar até dois anos de prisão.
Para quem quiser conferir como foi o experimento de Richard, ele mantém um blog pessoal onde explica tudo o que fez antes de ser preso.


Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/12185-homem-e-preso-por-tentar-construir-um-reator-nuclear-em-casa.htm#ixzz1vEllquJr

O Reator Nuclear Da Kodak





Um ex-funcionário da Kodak afirma que entre 2006 e 2007 a empresa guardou um reator nuclear com urânio enriquecido em uma filial nos Estados Unidos. O mais impressionante é que (apesar de ninguém saber da existência do reator) isso não representa exatamente um segredo, visto que todas as informações estavam disponíveis para quem quisesse ver os documentos de pesquisas da Kodak.

O reator esteve guardado em um bunker na sede da Kodak, na cidade de Rochester (Nova York, Estados Unidos) até 2007, quando a empresa decidiu que não havia mais motivos para mantê-lo. Uma grande quantidade de guardas armados foi chamada para colaborar no transporte do reator, que foi levado em contêineres para fora da Kodak – provavelmente, o material foi doado para o governo norte-americano, mas não há informações confirmadas sobre isso.

Como afirmou o Democrat and Chronicle, esse não é o tipo de material que pode ser utilizado por empresas. Mas ao que tudo indica, ele foi utilizado apenas para testes de radiografia de nêutrons e verificações de impurezas em outros materiais. Apesar de nunca ter ocorrido qualquer anúncio público sobre o reator, não parece que o urânio tenha sido obtido de maneira ilegal.

Fonte: Democrat and Chronicle